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Publicada em 26/12/2011 às 09h29
Wilson, meu primo-irmão
Respiro profundo. Afinal, vou escrever um artigo sobre um primo-irmão que me deixou na manhã da última segunda-feira. Não é fácil! Era aquele primo que posso afirmar - sem medo de errar - que era alma gêmea. Por ser tão bom, Papai do Céu o chamou. Ele, como excelente filho, atendeu ao chamado do Pai Celestial. Hoje, certamente, habita uma das moradas do Reino dos Céus. Estou me referindo a WILSON DE OLIVEIRA CAVALCANTI. Filho de Marluce de Oliveira Cavalcanti, minha tia paterna já falecida, Wilson tinha um único irmão: Edmilson de Oliveira Cavalcanti que faleceu a alguns anos. Mas a nossa história começa no início da década de 50, quando Maria (minha mãe), Marluce e Lourdes (tias pelo lado paterno) estavam grávidas. Em 06 de janeiro de 1953 nasceu Roberto (filho de Lourdes), no dia 20 de janeiro eu (Antônio) nasci e no dia 8 de agosto nasceu Wilson (filho de Marluce). Todos em Campina Grande (PB). Os anos passaram e todos primos fazíamos o que toda criança gosta de fazer: brincar. Mas, a vida - logo cedo - nos encaminhou para o trabalho, afinal éramos de família pobre. Roberto (Dedé) era que tinha um melhor poder aquisitivo. Wilson foi trabalhar com tio Luiz Queiroz e eu fui ajudar o meu avô Felinho da Prata, no tradicional Mercado da Prata. Só que, além do trabalho, tinha o estudo. Então o negócio era estudar pela manhã, trabalhar à tarde e brincar à noite. Foi assim durante muitos e muitos anos no bairro da Bela Vista e no Mercado da Prata. No início dos anos 60 começa a revolução musical e comportamental no Brasil. Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Vanderléa, Golden Boys, Renato e Seus Blue Caps, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani e tantas outras dezenas de artistas iniciam o Yê Yê Yê. Roberto Carlos manda " ... e que tudo mais, vá pró inferno"; Vanderléa alertava "pare o casamento" e Erasmo Carlos mandava ver com "tremendão". Era um agito sensacional. E nós, ingênuos adolescentes, buscávamos participar do movimento: calça boca de sino, cabelo repartido de banca e as meninas com as mini-saias. Uma festa! Oh, tempo bom! Eu e Wilson era carne e unha. Todas às terças-feiras íamos assistir a Novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro ( no bairro de Bodocongó). Uma verdadeira procissão de fiéis faziam o trajeto toda semana. Nós não perdíamos uma. Até porque, eu era o coroinha voluntário. Estamos mais ou menos em 1965 e o Campinense Clube sagra-se Hexacampeão Paraibano de Futebol. Não precisa dizer que nossa família se tornou toda rubro-negra. Wilson era Campinense de brigar. Poder-se-ia falar até dele, agora - não aceitava falar mal do Campinense. Nesta época, começa no lixão do alto do bairro da Bela Vista, onde tinha a antena da antiga e hoje extinta rádio Cariri, a construção da sede social da Sociedade de Amigos do Bairro da Bela Vista. A juventude da qual fazíamos parte, fundou o Grupo de Jovem da Sociedade. Fui seu primeiro presidente e Wilson caiu em campo para arranjar os sócios. Dezenas e dezenas de jovens foram cooptados por Wilson para engrossar o grupo. Em pouco tempo, o grupo era um retumbante sucesso. Pedro Véio, dirigente da Sociedade de Amigos do Bairro da Bela Vista, compra a nossa idéia de instalar uma difusora no bairro da Bela Vista. Para botar a galera doida, em pouco tempo assumi o comando da difusora. Precisamente, às 18h30, diariamente, entrava no ar e até às 21h, dava os nossos recados e executávamos as músicas de sucesso. O que tinha de menina pedindo esta e aquela música era uma festa. Aí começava o xaveco. Wilson, Biu Eloy, Gilberto, Lourinho, Pinto, Vanzinho, Benedito, Ademir, George, Fátima de seu Zé Mansinho, Fátima da Ildefonso Aires, Benedito Antônio, Menininho e tantos outros jovens se postavam na calçada do grupo escolar - ao lado da difusora - para comentar o noticiário do dia. Foi aí onde surgiu o interesse pela comunicação. Em 1968, conseguimos uma radiola emprestada - através de Porto - e partimos para fazer "assustado" (festa realizada nas residências do bairro e adjacências). Sem saber, talvez fui o primeiro DJ. Acontece que para tomar conta dos discos e da radiola não deixava ninguém se aproximar. O máximo que os amigos e amigas conseguiam era o pedido de uma música. Wilson, todo bonito, cabelo à la Roberto Carlos, fazia o maior sucesso com as meninas. Para mim só sobrava as feinhas. Mas, assim mesmo, ia levando a vida sem reclamar. A galera se reunia todas às noites para atualizar o papo no sinuca do Gabriel. Neste mesmo ano, os amigos Maguinho e Toinho Burra Preta me convidam para jogar no Flamengo da Bela Vista. Time de varzea e que fazia o maior sucesso no bairro. Logo fui me destacando e joguei com amigos que depois foram grande jogadores profissionais. Pena que meu pai (Inácio Queiroz) não aceitou que fosse jogar no Campinense, pois dizia que meu futuro estava nos estudos. Não sei! Acontece que jogando pelo Flamengo, o técnico do Nacional Amador de Campina Grande, saudoso Zezé Dezoito Dedos, viu minha atuação e convidou-me para defender sua equipe. Wilson me incentivou o que pode para aceitar o convite. Fui mostrar minha categoria. Foram vários anos jogando pelo Nacional - aos sábados, e pelo Flamengo, aos domingos. Um dia, jogando pelo Flamengo contra o Botafogo da Liberdade, time tradicionalíssimo das peladas de Campina Grande, tive uma memorável e destacada atuação. O ex-jogador profissional e técnico do Campinense, Zé Preto, convida-me para ir para o Campinense. Wilson ouviu a conversa e pulou de alegria. Correu para contar para meu pai. Acontece que Sr. Queiroz só queria a família estudando e, apesar de ser torcedor do Campinense, não aceitou. Bom, não precisa dizer da minha frustação. Mas, pai é pai! Chegou o momento de servir o quartel. Wilson ficou no excesso de contigente. Eu e Dedé fomos servir no 15º Batalhão de Infantaria, em João Pessoa. Wilson, sempre que podia, estava conosco. Terminou o período do Exército e retornamos para Campina Grande. Wilson trabalhando na Wallig Nordeste e eu desempregado. Dedé ajuda na serraria da família. Meu pai, que trabalhava como mensageiro no hotel Ouro Preto, consegue um emprego na empresa Caranguejo. Enquanto isso, Wilson - que trabalhava no Recursos Humanos da Wallig Nordeste - tentava conseguir um emprego melhor para mim. Com um ano de emprego na fábrica de cachaça, Wilson consegue uma vaga para trabalhar na mesma empresa dele. Fui designado para o Departamento de Custos Industriais. Um sucesso financeiro. Era grana que não se acabava mais. Comprei meu primeiro carro e estudei desesperadamente para o vestibular e consegui ser aprovado em Licenciatura Plena de Matemática. Quando me inscrevi, Wilson disse que eu estava doido. Nesse período, ele me confidencia que estava gostando de uma menina (Nina) e que queria casar. Comentei com minha mãe. Ela orientou-me a saber o motivo dele querer assumir tão importante compromisso muito novo. Voltei a conversar com ele. Como confidente, Wilson disse que gostaria de ter sua vida própria. Assim foi. Enfrentou a tudo e a todos e casou. Apesar de casado, a amizade de primo continuava firma e inabalável. Só que, agora, Wilson começava a tomar "umas e outras". Vez em quando sabia que ele tinha excedido na bebida. O que fazer? Só conselhos, conselhos e conselhos... Ao me formar, Wilson se lamentou em não ter continuado seus estudos e também se formado. O tempo passou e aceitei vir para Rondônia, em 1985. Sempre que volta para Campina Grande (PB) nos encontrávamos. Era uma festa. Em 2002, em plena Copa do Mundo, com a conquista do título pudemos comemorar com uma cervejinha. Em 2005, minha mãe falece. Vejo Wilson no sepultamento e dois dias depois na casa de nossa tia Lourdes ( mãe de Dedé). Ele estava tomando "algumas" para variar. Esta é a última imagem que tenho do meu primo-irmão. Uma imagem que vou fazer questão de guardá-la enquanto tiver neurônios orbitando. Quando do falecimento de tia Marluce, em 2007, tive um sonho em que ela pedia que minhas orações fossem endereçadas para Severina, que era seu nome de batismo. Acordei perplexo com o sonho. No dia seguinte, liguei para seu comércio. Marcos Queiroz, meu irmão, que trabalhava com ele em sua loja de material de construção, atende o telefone. Depois de um papo com meu irmão, peço para falar com Wilson. Papo vai, conversa vem, lembra isso, relembra aquilo e fiz a pergunta: Wilson, o nome de tia Marluce não é Marluce!? Ele me pergunta a razão da pergunta. Eu conto-lhe o sonho que tive na noite anterior. Com uma longa gargalhada, ele confidencia-me que o nome de batismo de minha tia Marluce era na verdade Severina. Passei a rezar para Severina. Agora, também rezo por WILSON DE OLIVEIRA CAVALCANTI, que deixou a todos nós - após cumprir a sua missão na Terra, vitimado por uma Cirrose Hepática. Poderia ter contado dezenas e centenas de histórias de nossas vidas. Agradeço a Deus por ter me dado um primo com seu valor moral, intelectual, familiar e, acima de tudo, um homem que deixa um exemplo a ser seguido pelos seus familiares. Descanse em Paz e que Deus o receba em sua Eterna Morada. Ah! antes que possa esquecer, tenho certeza que vovô Generino, vovó Quitéria, Inácio Queiroz (seu tio), Lourdes Cabral (sua tia), Severina e/ou Marluce (sua mãe), Edmilson (seu irmão), Maria Queiroz (sua tia) e tantos outros familiares e amigos que habitam o Reino dos Céus estão fazendo festa pela sua chegada. Só nos resta a eterna saudade e a certeza de que um dia, todos nós, estaremos nos encontrando junto ao Pai Celestial. Abraços, do seu primo-irmão!!!
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