Suas Notícias
ÍNDICE


COLUNISTAS
Jussara Gottlieb
Social
Cândido Ocampo
Auditoria no novo Código
Kátia Alves
Pragas urbanas
Wilson Santos
Trânsito Brasil
Marcelinho
Blog do Marcelinho
Pedro Marinho
Blog do Pedro Marinho
Katia Alves
Publicada em 01/04/2013 às 20h39
Morcegos

Eles têm fama de malvados. E não são muito bonitos. Mas se os conhecer melhor você vai saber que, apesar da cara esquisita, têm um papel importante na natureza e ajudam outros seres vivos.

O traço mais remoto da separação da linhagem humana dos demais primatas tem entre 5 e 6 milhões de anos. Os morcegos chegaram bem antes. Dos mamíferos que começaram a ocupar o planeta após a extinção dos grandes lagartos, que dominaram o mundo até 65 milhões de anos atrás, eles estão entre os mais antigos. O fóssil de morcego mais velho já encontrado tem cerca de 50 milhões de anos e mostra que os espécimes atuais se parecem muito com seu antepassado distante.

A capacidade de adaptação desses mamíferos levou-os a quase todos os lugares do planeta. Eles só não vivem em lugares muito frios. No total, são cerca de 1000 espécies identificadas. Ou seja: aproximadamente um em cada quatro mamíferos é morcego. No Brasil, há 138 espécies, espalhadas por todo o país. Há morcegos pequenos e leves, grandes e pesados, pretos, marrons,cinzentos, brancos, amarelos e até vermelhos. Os morcegos são os únicos mamíferos capazes de voar. Suas asas são formadas pela própria pele. Como nós, possuem cinco dedos, que são longos e sustentam a asa. Seu corpo é coberto de pelos curtos, com cores que variam muito.

Certas espécies mudam de cor em algumas fases da vida e há filhotes com uma penugem tão fina que parecem de pelúcia. Só que é bom lembrar que são de verdade e mordem para se defender. O ataque é perigoso, pois, assim como os cães, eles podem transmitir raiva. A maior peculiaridade desses animais, comum a todas as espécies, é sua capacidade de voar. O morcego é o único mamífero que se locomove pelo ar. E para isso ele utiliza as mãos, que a evolução transformou em asas. A estrutura dos ossos da mão do morcego é parecida com a da mão humana. A principal diferença é a proporção. Nos morcegos, as falanges são finas e compridas, quase do tamanho do corpo. Os dedos são unidos por uma membrana elástica, que também é ligada às pernas. Para voar, basta afastar os dedos e mover os braços para cima e para baixo. Mas a operação não é simples. De fato, ela requer muita energia. Para contornar esse problema, o morcego normalmente alça vôo a partir de um ponto mais alto, cai alguns centímetros e, após ganhar velocidade, retoma a altitude.

A membrana lisa e contínua que forma suas asas impede a passagem de ar, ao contrário do que ocorre com as penas das aves, que são aerodinâmicas. Isso, aliado à enorme flexibilidade das asas articuladas, permite manobras radicais. Um leve ajuste nos dedos é capaz de gerar ângulos variáveis, fazendo com que o vôo do morcego seja muito mais dinâmico que o de qualquer ave. Algumas espécies atingem velocidades de até 50 km/h.

Seu jeito de voar ajuda a explicar outra peculiaridade: o hábito de ficar de cabeça para baixo. Pousados dessa forma, os morcegos facilitam o início de seu vôo, basta deixar a gravidade atuar e iniciar o movimento das asas. Sua pelagem é vasta e pesada e eles não possuem as estruturas adaptadas ao vôo que as aves têm ossos mais leves e penas impermeáveis, por isso precisam de toda a energia disponível para alçar vôo.

Os morcegos são animais noturnos. Normalmente, saem para se alimentar logo após o pôr-do-sol. Moram em árvores, cavernas, grutas e preferem locais quentes e relativamente úmidos. O morcego não constrói ninhos. Os hábitos alimentares dos morcegos são os mais diversos dentro de uma única ordem de mamíferos. Há um numeroso contingente de devoradores de insetos (insetívoros), amantes de frutas (frugívoros), apaixonados por néctar (nectarívoros), gourmets de peixes (piscívoros), apreciadores de pequenos vertebrados (carnívoros), glutões que comem de tudo um pouco, como frutos, flores e pequenos vertebrados (onívoros), e os já citados hematófagos. Ah, sim, na luta pela sobrevivência, vale tudo: há morcegos que comem outros morcegos. Um único morcego é capaz de ingerir mais de 3000 insetos e aumentar seu peso em até 40%, após uma boa refeição. Os 20 milhões de morcegos-de-cauda-livre do México consomem 250 toneladas de insetos em um único banquete. Esse tremendo apetite é vital para o equilíbrio dos ecossistemas. Os morcegos são os maiores comedores de insetos do planeta, contribuindo para o controle de populações de moscas e mosquitos. Além disso, eles são absolutamente indispensáveis para espalhar sementes e polinizar vegetais, ajudando na reprodução das plantas e garantindo a sobrevivência de várias florestas. A maioria das espécies de morcego enxerga bem durante o dia. Mas costuma sair para procurar comida no final da tarde ou à noite para evitar a concorrência dos pássaros e se livrar de predadores, como aves de rapina e cobras. Mesmo assim existe o risco de ser pego por gatos ou corujas. A escuridão para os morcegos não é problema, pois contam com um truque especial: usam o som para perceber o que está em volta. Eles ouvem muito bem e emitem ruídos de alta frequência, que nossos ouvidos não conseguem perceber. As ondas sonoras batem nos obstáculos e voltam na forma de eco. O ouvido do morcego capta o eco e seu cérebro rapidamente faz um mapa de onde há um obstáculo ou um alimento. Desse jeito, ele pode perceber até um fio fino como uma teia de aranha à sua frente e também pegar um inseto em pleno ar.

O desmatamento, a utilização de pesticidas em áreas rurais e a matança indiscriminada são fatores que já ameaçam algumas espécies dos morcegos de extinção. Só no Brasil, segundo o Ibama, nove delas correm risco de desaparecer. O preconceito, a incompreensão, e a simples ignorância também são geralmente os responsáveis. Os morcegos são espécies silvestres e, no Brasil, estão protegidos pela Lei de Proteção à Fauna. Sua perseguição, caça ou destruição são considerados crimes.

* Kátia Alves da Silva é Bióloga e Pós Graduada em Gestão Ambiental

MAIS NOTÍCIAS
04/04/2014Doenças relacionadas às enchentes
01/04/2014Doenças relacionadas as enchentes - Kátia Alves
06/08/2013Pragas urbanas
01/04/2013Morcegos
12/09/2012Carbono
02/09/2012Dia do Biólogo
14/08/2012Sanguessugas
19/07/2012Baba de caracol
11/11/2011Leptospirose
14/10/2011Biossegurança
29/07/2011Árvore, carvalho
24/06/2011Efeito estufa
06/06/2011Meio ambiente
06/06/2011Meio ambiente
06/06/2011Meio ambiente
04/06/2011Libélula
19/05/2011Limão
13/05/2011Enfermeiro
25/04/2011As minhocas
13/04/2011Leptospirose
06/04/2011Cigarro, o vilão
23/03/2011De remédio a veneno
15/03/2011Aranha Caranguejeira
08/03/2011Perigo em ambiente climatizado
22/02/2011Biodiversidade ameaçada
15/02/2011Cimento e poluição
02/02/2011Chuva ácida
17/01/2011Chuvas e doenças
06/01/2011Sucuri
28/12/2010FcAwuDFeywqV
17/12/2010Aranha Caranguejeira
08/12/2010Chuva ácida
22/11/2010Os jovens e as drogas
11/11/2010Poluição dos rios
09/11/2010Ibama fiscaliza madeireira no distrito do Pacarana
03/11/2010Resíduo hospitalar
28/10/2010O Carrapato
20/10/2010Insuficiência renal e hemodiálise
13/10/2010Árvores do Brasil
04/10/2010Chuva ácida
23/09/2010Mosca
15/09/2010Plantas medicinais
08/09/2010Polinização
31/08/2010Profissão biólogo
25/08/2010Afogamento
20/08/2010Queimadas e poluição
10/08/2010Água de lastro
27/07/2010Desenvolvimento Sustentável
21/07/2010Samaúma
14/07/2010Cobra peçonhenta e não peçonhenta
07/07/2010Formigas (I)
07/07/2010Formigas (I)
29/06/2010A Cigarra
23/06/2010As vacinas
16/06/2010Formigas
16/06/2010Formigas
16/06/2010Formigas
07/06/2010Doença de Chagas
31/05/2010Ameaça à Amazônia
24/05/2010Afogamento
18/05/2010Urubu
05/05/2010Barata
05/05/2010Barata
22/04/2010Prática esportiva ou tortura?
15/04/2010Sapo, rã e perereca
05/04/2010AGROTÓXICOS


WWW.SUASNOTICIAS.COM.BR
© 2010 - Todos os direitos reservados a SUASNOTICIAS