POR SÉRGIO RODAS OLIVEIRA
 
O pré-candidato a presidente da República do PSB Eduardo Campos prometeu nesta terça-feira (10) acabar com a distribuição de cargos públicos a apadrinhados de partidos políticos.
 
“Os partidos políticos não podem continuar se entregando às velhas raposas que praticam fisiologismo e patrimonialismo em Brasília. Não é mudar nomes, partidos. É mudar a atitude do país. É preciso que o povo os reprima nas urnas. É preciso que quem assuma o comando do Executivo tenha coragem de governar sem eles [as ‘velhas raposas’]”, declarou Campos.
 
Questionado sobre como iria suprimir o aparelhamento político praticado por PMDB e PT, o líder do PSB afirmou que a mudança começa desde a campanha eleitoral: “Só dá para fazer a mudança para valer se, desde a campanha, nós formos avisando que vamos tirar a incompetência e botar a competência, tirar a corrupção e botar o sério”.
 
Para isso, Eduardo Campos disse que dirigentes de agências reguladoras e empresas estatais somente serão empossados depois de ser avaliados por headhunters (profissionais especializados em recrutamento) e segundo critérios técnicos.
 
A proposta arrancou aplausos do público da Câmara Americana de Comércio (Amcham) de São Paulo, composto majoritariamente de empresários. Após o término da sessão, era possível ouvir espectadores comentando como Campos era um “candidato diferenciado” e “com ideias arejadas”. Eduardo Campos foi o segundo presidenciável a participar do ciclo de debates sobre competitividade organizado pela entidade – Aécio Neves (PSDB) havia sido o convidado do dia 16 de maio, inaugurando a série de eventos.
 
O ex-governador de Pernambuco opinou que a economia brasileira não está crescendo como poderia por que não há confiança dos investidores e da sociedade. Para mudar essa situação, Campos disse que, se eleito, implantará uma “política macroeconômica de responsabilidade”, com controle da inflação, independência formal do Banco Central, transparência contábil e criação de um conselho nacional de responsabilidade fiscal, que organizaria a arrecadação e os gastos do Estado.
 
O CEO da Amcham Gabriel Rico, ao abrir o evento, submeteu à votação do público um conjunto de medidas listadas pela entidade que, na visão deles, ajudaria a melhorar o ambiente de negócios do Brasil. As mais populares foram simplificação dos processos aduaneiros, estímulo à integração entre universidades e empresas, reforma tributária e incentivo à infraestrutura. Tais medidas foram entregues a Eduardo Campos, que declarou que elas serão incorporadas em seu programa de governo.       
 
Pesquisas eleitorais
    
Na última pesquisa eleitoral divulgada pelo Datafolha, Eduardo Campos aparece com 7% de intenções de voto, contra 19% de Aécio Neves e 34% da presidente Dilma Rousseff. Perguntado se esse resultado o incomoda, Campos se mostrou confiante.
 
“Nós ainda estamos em uma fase de pré-campanha. O importante é ler o sentido que as pesquisas estão apontando. O sentido é de mudança. Agora, quando começar a campanha efetivamente, na televisão, nos debates, nas mídias sociais, a gente vai ter um quadro que vai se delineando lá para setembro, aí a gente vai olhar números quantitativos. Agora não é o caso”, explicou o pré-candidato do PSB.
 
O ex-governador de Pernambuco também disse que a ideia de que Marina Silva, provável candidata a vice-presidente na chapa PSB-Rede, irá transferir votos a ele é equivocada.
 
“Não se trata de transferência de votos. Se trata de nós, eu e a Marina, representarmos um pensamento renovador na vida brasileira, um pensamento que se aproxima dos brasileiros que querem uma mudança de era, uma mudança de ciclo, uma mudança de valores. E para isso, é preciso que a comunicação das ideias aconteça. E isso vai acontecer, sobretudo quando a campanha começar no veículo da televisão aberta. (…) Então, é preciso saber cada tempo que a campanha tem – o tempo do plantio e o tempo da colheita. A colheita vai ser nas urnas”, analisou Campos.