Postado por: Roger Pereira
 
Rodolfo Buhrer
Rodolfo Buhrer

Depois de três adiamentos, por conta de problemas de saúde e da morte de seu advogado, o pecuarista José Carlos Bumlai prestou depoimento nesta segunda-feira ao juiz federal Sérgio Moro e disse que não participou de nenhuma negociação para a liberação de um empréstimo de R$ 12 milhões em seu nome que teria sido usado para quitar contas de campanha do PT. Ele afirmou que a primeira vez que esteve no Banco Schahin o empréstimo já estava acertado entre PT e o banco. “Só precisavam de um trouxa como eu para assumir”, declarou.
“Eu ouvi que estive no banco solicitando esse empréstimo, que eu fui mais de uma vez. Eu nunca solicitei esse empréstimo”, disse, categoricamente, Bumlai, contrariando, inclusive, os depoimentos dos proprietários do Grupo Schahin, que disseram ter participado de reuniões com o pecuarista. Na sua versão, Bumlai relatou que foi chamado ao Banco em uma noite de 2004 por seu amigo Sandro Tordin, presidente do banco. “Fui lá e me deparei com o Dr. Helio (Hélio de Oliveira Santos) , candidato a prefeito de Campinas, o Delúbio Soares e o Carlos Eduardo Shahin. Eles precisavam de dinheiro para o segundo turno da eleição de 2004 e me colocaram essa situação. Queriam que eu assumisse o empréstimo de 12 milhões, que seriam liquidados rapidamente – em até 120 dias”, narrou.
Segundo Bumlai, ele aceitou assumir o empréstimo para manter uma boa relação com o governo do PT. “Meu grande erro foi que, levado pela minha situação de proprietário de 210 mil hectares de terra, um grande alvo de invasões, e com o PT assumindo o governo federal, eu não falei não por receio, mas também achei que o empréstimo não ia sair, porque nunca tive conta nem nenhuma ligação com o banco Schahin”, disse.
Bumlai explicou que foi informado por Delúbio Soares que R$ 6 milhões seriam usados na campanha de segundo turno em Campinas e outros R$ 6 milhões para quitação de outras dívidas do partido. “Como era um acerto entre o PT e o banco, com previsão para quitação em poucos meses, nem me preocupei mais com isso, até que, em 2005, minha tesoureira me informou que estávamos no Cadin porque o empréstimo não foi pago”, disse.

Cadastrado como inadimplente, Bumali conta que procurou Sandro Tordin para saber o que havia ocorrido. Ouviu dele que o PT não pagou e não tinha previsão de pagar nos próximos meses e disse que, “por medo, e para me livrar logo desse problema, dei uma fazenda como garantia. Mas o banco nunca me acionou, nunca tomou a fazenda, e minha dívida não foi quitada”, disse.
Bumlai conta que, por conta do impasse, procurou João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT e o lobista Fernando Soares, para tentar solucionar a questão. Bumlai diz que ouviu, então de Vaccari, que o PT reconhecia que a dívida era do partido e que seria honrada.
“Então, no final de 2008 eu fui procurado por uma advogado do Banco Schahin dizendo que estava autorizado a negociar comigo a quitação desse empréstimo. Me perguntou o que eu tinha, além de terras, para o negócio. Falei que só tinha boi e embriões. E ele disse que dava para fazer em cima dos embriões, pois não incidia ICMS. Foi feito todo o trâmite da venda de embriões, mas nós nunca os entregamos e a dívida foi quitada”, disse, declarando só ter ficado sabendo em 2012 que a quitação da dívida teve relação com o contrato de operação de navio sonda da Petrobras. “O que foi feito, eu não participei, nunca estive na Petrobras, não participei de negócio nenhum com a Petrobrás”, disse.