Suas Notícias
ÍNDICE


COLUNISTAS
Jussara Gottlieb
Social
Cândido Ocampo
Auditoria no novo Código
Kátia Alves
Pragas urbanas
Wilson Santos
Trânsito Brasil
Marcelinho
Blog do Marcelinho
Pedro Marinho
Blog do Pedro Marinho
Katia Alves
Publicada em 10/08/2010 às 10h54
Água de lastro

        A água de lastro, utilizada em navios de carga como contra-peso para que as embarcações mantenham a estabilidade e a integridade estrutural, é transportada de um país ao outro, e pode disseminar espécies "alienígenas" potencialmente perigosas e prejudicial ao meio ambiente e ao sistema hídrico brasileiro.
      
    Lastro é definido como qualquer volume sólido ou líquido colocado em um navio para garantir sua estabilidade e condições de flutuação. O termo “água de lastro” refere-se, então, à água coletada nas baías, estuários e oceanos, destinada a facilitar a tarefa de carga e descarga. Quando um navio está descarregado, seus tanques recebem água de lastro para manter sua estabilidade, balanço e integridade estrutural. Quando ele é carregado, a água é lançada ao mar. A introdução de espécies marinhas exóticas em diferentes ecossistemas, por meio da água do lastro dos navios e por incrustação no casco foi identificada como uma das maiores ameaças aos rios e oceanos do mundo.
 
       Algumas das espécies exóticas se tornaram pragas em países distantes de seus habitats naturais, podendo alterar o equilíbrio ecológico local, e causar impactos negativos na pesca, na aquicultura e em outras atividades econômicas. Isto ocorre porque em novos ambientes, alguns organismos ficam livres dos predadores naturais, e em condições favoráveis acabam dominando a fauna local, prejudicando processos naturais e os organismos nativos. São as espécies exóticas invasoras: animais, plantas ou microorganismos introduzidos num ecossistema do qual não fazem parte. O Mexilhão Dourado é semelhante ao mexilhão marinho, porém, vive somente na água doce. Originário da Ásia, apareceu pela primeira vez na América Latina em Buenos Aires, no ano de 1991. Chegou ao Rio Grande do Sul em 1998, trazido provavelmente nos porões de navios, na água de lastro. O animal vem crescendo e se multiplicando intensamente devido ao clima favorável e à inexistência de um predador natural. Forma grandes colônias que, em pouco tempo, causa obstruções de encanamentos de barcos, tomadas de água para abastecimento das cidades e indústrias. Em hidrelétricas obstrui filtros, trocadores de calor e turbinas, e nas margens de rios e lagos envolve completamente os animais e plantas do fundo que vão desaparecendo. Outras formas de disseminação de espécies exóticas de água doce são através dos próprios pescadores, que introduzem espécies deliberadamente em alguns ambientes, e donos de pesque-pague que por falta de cuidado em suas represas e lagos acabam deixando que espécies escapem para os ambientes próximos quando ocorre um aumento do nível de água nesse local. Assim, a água de lastro pode causar problemas ambientais e de saúde pública, uma vez que pode conter esgoto e materiais tóxicos, além de espécies animais e vegetais endêmicas, foi comprovado transporte do vírus colérico (Vibrio cholerae) através da água de lastro. A OMS indica que algumas epidemias de cólera podem estar diretamente relacionadas ao deslocamento do vírus pela água de lastro, especialmente o surto que aparentemente deslocou-se da Índia para a America do sul na metade da década de 90. No, caso dos mexilhão dourado, esse molusco bivalve não têm predadores naturais, podem se reproduzir rapidamente e competir com espécies nativas. Bacilos ou outras formas de organismos patogênicos também podem ser carregados de uma região para outra junto com a água de lastro despejada em nossos rios e oceanos. A chegada de espécies invasoras ao Brasil está associada, desde o início, à falta de controle e fiscalização sobre as diversas atividades de origem antrópica.
          Kátia Alves da Silva
          Bióloga Pós-Graduada em Gestão Ambiental

MAIS NOTÍCIAS
04/04/2014Doenças relacionadas às enchentes
01/04/2014Doenças relacionadas as enchentes - Kátia Alves
06/08/2013Pragas urbanas
01/04/2013Morcegos
12/09/2012Carbono
02/09/2012Dia do Biólogo
14/08/2012Sanguessugas
19/07/2012Baba de caracol
11/11/2011Leptospirose
14/10/2011Biossegurança
29/07/2011Árvore, carvalho
24/06/2011Efeito estufa
06/06/2011Meio ambiente
06/06/2011Meio ambiente
06/06/2011Meio ambiente
04/06/2011Libélula
19/05/2011Limão
13/05/2011Enfermeiro
25/04/2011As minhocas
13/04/2011Leptospirose
06/04/2011Cigarro, o vilão
23/03/2011De remédio a veneno
15/03/2011Aranha Caranguejeira
08/03/2011Perigo em ambiente climatizado
22/02/2011Biodiversidade ameaçada
15/02/2011Cimento e poluição
02/02/2011Chuva ácida
17/01/2011Chuvas e doenças
06/01/2011Sucuri
28/12/2010FcAwuDFeywqV
17/12/2010Aranha Caranguejeira
08/12/2010Chuva ácida
22/11/2010Os jovens e as drogas
11/11/2010Poluição dos rios
09/11/2010Ibama fiscaliza madeireira no distrito do Pacarana
03/11/2010Resíduo hospitalar
28/10/2010O Carrapato
20/10/2010Insuficiência renal e hemodiálise
13/10/2010Árvores do Brasil
04/10/2010Chuva ácida
23/09/2010Mosca
15/09/2010Plantas medicinais
08/09/2010Polinização
31/08/2010Profissão biólogo
25/08/2010Afogamento
20/08/2010Queimadas e poluição
10/08/2010Água de lastro
27/07/2010Desenvolvimento Sustentável
21/07/2010Samaúma
14/07/2010Cobra peçonhenta e não peçonhenta
07/07/2010Formigas (I)
07/07/2010Formigas (I)
29/06/2010A Cigarra
23/06/2010As vacinas
16/06/2010Formigas
16/06/2010Formigas
16/06/2010Formigas
07/06/2010Doença de Chagas
31/05/2010Ameaça à Amazônia
24/05/2010Afogamento
18/05/2010Urubu
05/05/2010Barata
05/05/2010Barata
22/04/2010Prática esportiva ou tortura?
15/04/2010Sapo, rã e perereca
05/04/2010AGROTÓXICOS


WWW.SUASNOTICIAS.COM.BR
© 2010 - Todos os direitos reservados a SUASNOTICIAS